A jornada dela para tocar na orla do manto de Jesus é o modelo perfeito da nossa jornada para participar da Ceia do Senhor

Texto Central: Marcos 5:25-34

Mas, quantas vezes nos aproximamos desta mesa com o coração distante? Quantas vezes olhamos para o pão e para o cálice, mas sentimos uma multidão de coisas nos separando de um verdadeiro encontro com Jesus?

Hoje, à luz da história de uma mulher desesperada, vamos entender o que significa romper essa multidão para tocar verdadeiramente em Jesus aqui, na mesa d’Ele. A jornada dela para tocar na orla do manto de Jesus é o modelo perfeito da nossa jornada para participar da Ceia do Senhor. A pergunta para cada um de nós hoje é: O que está te impedindo de chegar à mesa com um coração fiel?

Doença (Físico): Por 12 anos, seu corpo sangrava. Era uma dor constante, uma fraqueza que a consumia dia e noite.

Pobreza (Financeiro): Ela gastou tudo o que tinha com tratamentos que só a fizeram piorar. A doença roubou sua saúde e também sua segurança.

Isolamento (Social): Por ser considerada “impura”, ela era uma pária. Não podia ser tocada, não podia abraçar, não podia pertencer. Vivia sozinha no meio de todos.

Separação (Espiritual): Sua condição a impedia de ir ao Templo adorar. Ela estava fisicamente doente e espiritualmente distante.

Ponto 1: A “Hemorragia” e a Multidão que nos Afastam da Mesa

 Antes de tocar em Jesus, aquela mulher era definida por seu problema. Ela tinha uma hemorragia que não parava. Espiritualmente, antes de virmos à mesa, todos nós lidamos com nossas próprias “hemorragias” e com a multidão que elas criam.

A Hemorragia do Pecado Oculto: 

Assim como o sangue dela fluía, muitas vezes deixamos um pecado, uma mágoa ou um ressentimento fluir em segredo em nossas vidas. E essa condição nos faz sentir “impuros”, indignos de nos aproximarmos de Deus. A voz da acusação sussurra: “Você não pode tomar a Ceia, olhe o que você fez esta semana”.

A Multidão da Vida Atarefada: 

A multidão que apertava Jesus é o retrato do nosso dia a dia. São as preocupações com o trabalho, as contas a pagar, a ansiedade com o futuro. Essa multidão faz tanto barulho que chegamos à igreja e à mesa do Senhor fisicamente, mas nosso coração e nossa mente estão perdidos lá fora, distantes.

A Multidão do Orgulho e da Autossuficiência: 

Talvez a barreira mais sutil seja a de não sentir que precisamos da Ceia. Vivemos a semana confiando em nossa própria força, e chegamos aqui sem a sede e a fome desesperada daquela mulher. Não sentimos a necessidade de “tocar” em Jesus, porque achamos que estamos nos virando bem sozinhos.

Para aquela mulher, tocar em Jesus era uma questão de vida ou morte. E a primeira pergunta que a Ceia nos faz é: “Você reconhece que, sem Ele, sua vida espiritual está sangrando até a morte?”.

Ponto 2: O Toque da Fé: O que Significa Tomar a Ceia 

Aquela mulher tomou uma decisão: “Se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei”. Isso não foi um ato de superstição, foi um ato de fé sacrificial. Ela rompeu barreiras para chegar a Ele. Para nós, tomar a Ceia é este mesmo ato de romper e tocar.

Romper com a Culpa para Tocar na Graça: 

Tomar a Ceia é a nossa declaração de que não confiamos em nossa própria justiça. É estender a mão, mesmo nos sentindo impuros, e dizer: “Senhor, eu não mereço, mas eu preciso do Teu perdão”. O pão não é um prêmio para os perfeitos; é o remédio para os doentes que admitem sua enfermidade.

Romper com a Distração para Tocar no Sacrifício: 

Ao pegar o pão e o cálice, somos chamados a empurrar a “multidão” de nossas preocupações para o lado. É um ato de focar intencionalmente no que Jesus fez na cruz. É tocar em Suas feridas, meditar em Seu sofrimento e lembrar que o preço já foi pago.

Romper com o Orgulho para Tocar em Humildade: 

A Ceia nos humilha. Ela nos lembra que nossa força é falha e que nossa única esperança está no corpo partido e no sangue derramado de Cristo. É a nossa rendição, a nossa confissão de que, sem Ele, não podemos fazer nada.

Tomar a Ceia, irmãos, é mais do que um ritual. É a nossa fé em ação. É o nosso toque desesperado, dizendo: “Senhor, só Tu tens o poder para me curar e me sustentar”.

Ponto 3: O Resultado do Toque: Filhos Restaurados na Mesa 

Quando a mulher tocou em Jesus, a vida dela foi transformada. Da mesma forma, quando participamos da Ceia com um coração fiel, não saímos da mesma maneira que chegamos.

A Cura é Liberada: 

Assim como a hemorragia dela cessou, quando nos conectamos pela fé ao sacrifício de Cristo, o poder do Seu sangue nos purifica de todo pecado. A culpa é lavada, a ferida da alma começa a ser curada, e recebemos força espiritual para parar o “fluxo” de velhos hábitos.

A Identidade é Reafirmada: Jesus não disse: “Mulher, tua fé te curou”. Ele disse: “Filha…”. A Ceia do Senhor é uma refeição de família! Ao participarmos, Deus não está olhando para a nossa impureza, mas está nos reafirmando: “Você é meu filho”, “Você é minha filha”. Você pertence a esta mesa. Você pertence a mim.

A Paz é Concedida: Jesus a despede dizendo: “vai em paz”. A Santa Ceia deve nos encher com a paz de Cristo. A paz de saber que estamos perdoados, que estamos em comunhão com Deus e que Ele nos dá a força para continuar a jornada.

Conclusão

Nesta hora, a mesa está posta. Jesus está passando no meio de nós. Ele sabe qual é a “hemorragia” que te aflige. Ele vê a “multidão” que te cerca. E Ele te convida a não ser apenas um espectador.

Examine seu coração. Há algo que te impede de vir? Confesse a Ele. Abandone o orgulho. Empurre as distrações. Faça como aquela mulher. Tome a decisão de fé de estender a mão e tocar no Senhor através destes elementos.

Não deixe que sua sensação de impureza te impeça de tocar no Único que pode te purificar. A Ceia não é para os que se acham dignos, mas para os que sabem que só em Jesus encontram dignidade.

Vamos nos aproximar, não com medo, mas com uma fé santa e desesperada, prontos para ouvir Sua voz nos chamando de filhos e nos enviando em paz.

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